13 de Março
Por vezes a ignorância é uma bênção. Quando na semana passada a minha
médica me disse que a Luísa iria, certamente, nascer bem antes do final do mês,
talvez não imaginasse o tamanho da sentença que me estava a atribuir. Talvez a
palavra sentença possa ser muito forte, mas de momento não me ocorre outra.
Conhecendo já um pouco da Apressada que a minha filha é e dizerem-me “antes
do final do mês” é basicamente dizerem-me que pode ser hoje, amanhã ou depois.
E desde quinta-feira que não me sai da cabeça a hora do parto. Não é por medo
das dores ou dos cortes ou de todo o cenário do trabalho de parto, mas porque a
Luísa ainda é pequena. Nenhuma mãe gosta de sentir que a sua cria pode vir ao
mundo com menos forças para lutar. Depois de tantas semanas de repouso, medicação
e paciência sabe a pouco pensar que na verdade não mandamos nada.
Os 2kgs da Luísa são uma estimativa, poderão ser menos ou mais. Se ela
nascesse hoje, amanhã ou depois e se esses 2kgs não fossem reais a incubadora
seria um caminho certo.
A minha colega de quarto, que lá ficou depois de eu ter alta, disse-me
ontem que tinha a cesariana dos gémeos dela programada para hoje se houvesse
lugar na Neonatologia… E se a minha Luísa Apressada quer nascer nos próximos
dias e se precisa de ir para a Neo e não há lugar? Mandam-na para longe de mim?
É por isso que a ansiedade cresce dentro
de mim. Não controlar a situação vai contra aquilo que eu sou.
O pior são as noites. De dia o tempo passa mais rápido, mas à noite na
cama as horas não avançam. Passo a vida a sentir dores que não sinto, a ouvir
águas a rebentar que na realidade não rebentaram. Não consigo ter posição na
cama e normalmente só sou vencida pelo cansaço pelas 4h ou 5h da manhã. O J.
dorme o sono dos justos e eu fico ali a olhar para o teto e a pedir só mais um
dia, só mais um dia, porque quando o dia nasce parece que os meus “fantasmas”
desaparecem também.
Por outro lado, de um momento para o outro, tornei-me especialista em
fases da lua. Ninguém sabe explicar porquê, mas a verdade é que a mudança da
lua pode influenciar o início do trabalho de parto. Então tenho-me agarrado a
isso para tentar descansar a mente. Já sei que até ao final do mês vamos ter ainda
mudança de lua a 18 e a 26, lua nova e quarto crescente, respetivamente. No
entanto, dizem que são as noites de lua cheia que mais têm influência nos
partos e essa lua já só volta em maio, no dia 04.
Agarro-me às fases da lua como algo que me ajude a passar esta
ansiedade. Assim, na minha cabeça, tento arranjar desculpas para que a Luísa
agora só nasça depois do dia 18 e se não nascer a 18, com sorte vá até 26.
A lua e as mulheres sempre tiveram uma ligação especial e espero que a
lanterna da Terra seja minha amiga agora.