segunda-feira, 13 de julho de 2015

Latas de leite…incrustadas a ouro!



13 de Julho

As palavras promoções ou feira do bebé são, por estes dias, vocábulos para pôr as antenas de uma mãe no ar. Andar à procura de fraldas, toalhitas ou leite mais baratos são mais do que um hobby, são uma necessidade a bem do orçamento familiar.

Cá por casa, agora que a Luísa bebe mais quantidade do suplemento, encontrar o leite que ela toma em promoção ou locais que o façam mais barato é uma odisseia, principalmente ao preço a que estes leites são vendidos.

E como ser mãe é ter à nossa volta uma rede de outras mães a passar o mesmo que nós e com as antenas igualmente no ar, hoje a minha amiga J., afirmando-se “papa folhetos”, mandou-me uma mensagem a avisar que uma cadeia de hipermercados estava a fazer 25% de desconto directo numa série de leites da marca do da Luísa. Infelizmente, a versão que a Luísa toma não está contemplada nesta promoção. Não entendo porquê. Se fazem promoção nas versões 2, 3 e 4, porque não acrescentar a 1 também? Enfim, sem sorte.

Mas isto do leite tem-me dado muito que pensar. Num mundo tão global, onde tantos bebés bebem leite de lata e não havendo assim tantas marcas quanto isso como é que os preços são tão elevados? O leite da Luísa custa, na maioria dos hipermercados, 16,29€, mas há umas semanas, e visto estar esgotado em grande parte dos hipermercados aqui da zona, tivemos de o ir comprar à farmácia, onde o adquirimos a mais de 20€. Sim, 20€!! Fiquei estupefacta. E mais revoltada fiquei quando no dia seguinte já o tinham disponível no hipermercado, onde habitualmente fazemos as compras. Como é possível da farmácia para o hipermercado uma diferença superior a 3€?

Neste momento gastamos duas latas de leite por mês para a Luísa, mas nem quero imaginar como é para um casal cujo bebé só seja alimentado a leite de lata. Quer dizer, até imagino, porque a minha amiga C., ex-companheira de quarto no Hospital e agora mãe de gémeos, gasta uma lata a cada quatro dias. Por mês ela precisa de pelo menos sete latas e meia, o que se traduz em mais de 115€ por mês só para leite. Só este dinheiro já dava para pagar uma mensalidade em algumas creches.

Tendo em conta estes preços atrevo-me a dizer, que haverá mães e pais que em alguns meses não tenham dinheiro para comprar leite para os filhos. Aliás, ainda no Hospital, uma mãe de uma família com dificuldades comentou que às vezes não tinha dinheiro para comprar o leite. Na altura não entendi como aquilo era possível, mas agora entendo. Entendo mesmo.

É por isso, que senhores produtores de leite em lata, com tantos bebés a tomarem o vosso leite não é possível fazerem-no a preços mais aceitáveis? Em África ou na América Latina também fazem estes preços? Este leite é de primeira necessidade. Já nem vou falar de apoios do Estado, porque isso é chover no molhado e já sabemos ao que nos leva…a nada!

Assim sendo, estou decidida a percorrer todos os hipermercados das redondezas à procura do leite mais barato, porque a estes preços cheguei a duvidar se as latas não viriam incrustadas a ouro e diamantes.

sábado, 4 de julho de 2015

#2 É a vida, Ana! Sem pijamas…



04 de Julho

Ora hoje é dia 04 de Julho e nos Estados Unidos celebra-se o Dia da Independência, pois cá em casa bem que podia ser celebrado o Dia Sem Pijama.
Sim, esta semana fui (sou sempre) o alvo preferido da Luísa e esta madrugada lá tive de voltar a mudar pela terceira vez de pijama, mais propriamente camisa de dormir que são mais práticas para quem amamenta.

Pois bem, parece que o “Senhor Vómito” gostou de mim. Gostou de mim e da desgraçada da minha cama. Os lençóis hoje vão para lavar depois de dois vómitos e praí uns quatro bolçares…
Caríssimas, o meu sábio conselho é que tenham muitas camisas de dormir ou pijamas de botões em stock ou então vistam um daqueles fatos de corpo inteiro que os pescadores usam, sempre que derem de amamentar e a vossa cria engolir ar com medo que todo o ar do mundo se acabe. Resultado, no final dá mega arroto que até vem o leite junto…

Feliz Dia Sem Pijama!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tenham filhos, mas sejam ricos



01 de Julho

“Portugueses, (pelo menos aqueles que ainda por cá andam em idade fértil) ide por esse país fora e procriai que a nação precisa e agradece! Há escolas para ocupar, pois qualquer dia há mais professores que alunos, e contamos com os descontos dos vossos filhos para um dia nos pagarem a reforma. Ah, e dizem que nós, Governo, também damos umas ajudas de custo para criarem a filharada e fazerem deste país um retângulo à beira mar plantado a explodir de portuguesinhos.” É assim que eu leio nas entrelinhas sempre que se anunciam medidas de incentivo à natalidade.

Pedir aos portugueses que tenham filhos com base nos incentivos à natalidade é simplesmente gozar com a nossa cara. Não é que tenha decidido ter a Luísa a pensar nas benesses que o Estado nos ia conceder. Decidimos ter a Luísa porque estava na hora e os nossos corações estavam prontos para receber este amor maior. Mas toda a gente sabe que uma gravidez e depois um bebé dão muita despesa.

Felizmente durante a gravidez pude ser seguida por uma médica no privado, porque se fosse só a depender das consultas no Centro de Saúdo e as ecos que vamos sendo chamadas para fazer no Hospital provavelmente nunca teríamos detetado a tempo o meu cólo do útero reduzido. À data em que fui fazer a ecografia à minha médica e que me obrigou ao meu primeiro internamento não tinha nenhuma ecografia agendada para o Hospital e no Centro de Saúde todos sabemos que só se ouve o coração do bebé e já numa fase bem avançada da gravidez.

Nesta fase podemos pedir, mas só por volta dos três meses de gravidez, o subsídio pré-natal, como forma de ajudar às despesas inerentes à gravidez. Lá nos demos ao trabalho de recolher os imensos documentos que nos pediram e ir preencher a papelada, mas passado um mês recebemos a resposta de que não tínhamos direito por sermos considerados de 4º escalão e os subsídios só são atribuídos do 1º ao 3º escalão. Conclusão a que cá em casa chegamos: somos ricos! Não somos pobres, é verdade. Ganhamos o suficiente para podermos ter um apartamento onde nos sentimos bem e pagar as nossas despesas e contas a tempo e horas. Mas não somos nenhuns magnatas e as consultas no privado e tudo o que foi sendo preciso comprar para a chegada do bebé foram pesando no orçamento familiar.

Depois seguiu-se a minha baixa por gravidez de risco. Acho que é nestas alturas de incapacidade que os serviços do Instituo da Segurança Social mais deveriam ser céleres, mas não. Estive um mês e meio para receber o meu primeiro pagamento pela baixa. A partir daí veio certinho, mas primeiro que começasse a cair na conta foi uma travessia do deserto.

Agora, depois da Luísa nascer, e já que nos foi negado o direito ao abono de família, porque lá está, somos ricos e pertencemos ao 4º escalão, estamos no início de Julho e nada de receber o subsídio de licença de parentalidade. Vou reformular. A Luísa nasceu em Abril, estamos em Julho e ainda nada de receber. Entretanto foi preciso pagar rendas, contas, leite, medicamentos, consultas, fraldas, roupa e com que dinheiro? Com dinheiro que fomos buscar à poupança e que não era suposto de lá sair, mas ao mesmo tempo é o que nos vai apoiando.

Sim, porque nós ainda somos felizardos de termos conseguido poupar alguns tostões nestes últimos anos e assim poder estar a viver estes meses com o dinheiro contado, mas que vai dando para o que é preciso.

E um casal que ganhem os dois o salário mínimo? É nisso que penso nestas alturas. Como é que uma família dessas aguenta quase três meses sem receber um dos salários? Deve ser penoso. Porque esses casais decerto que não conseguem fazer um pé de meia ao qual possam recorrer em tempos como este.

Há uns anos falava-se tanto no Simplex e como facilitar os procedimentos da função pública, pois eu continuo a achar que estamos é no complicadex. Das três vezes que fui à Segurança Social deram-me três informações distintas, aquilo era papelada que nunca mais acabava, para não falar na dificuldade que senti em preencher os papéis e tudo isto para quê? Para estar há quase três meses sem receber o subsídio. Eu vou estar quatro meses de licença mais os dias de baixa por assistência à Luísa e por este andar corro o risco de receber esse tão valioso incentivo à natalidade no ÚLTIMO mês de licença.

Enfim, Portugueses tenham filhos…mas sejam ricos!