sábado, 4 de julho de 2015

#2 É a vida, Ana! Sem pijamas…



04 de Julho

Ora hoje é dia 04 de Julho e nos Estados Unidos celebra-se o Dia da Independência, pois cá em casa bem que podia ser celebrado o Dia Sem Pijama.
Sim, esta semana fui (sou sempre) o alvo preferido da Luísa e esta madrugada lá tive de voltar a mudar pela terceira vez de pijama, mais propriamente camisa de dormir que são mais práticas para quem amamenta.

Pois bem, parece que o “Senhor Vómito” gostou de mim. Gostou de mim e da desgraçada da minha cama. Os lençóis hoje vão para lavar depois de dois vómitos e praí uns quatro bolçares…
Caríssimas, o meu sábio conselho é que tenham muitas camisas de dormir ou pijamas de botões em stock ou então vistam um daqueles fatos de corpo inteiro que os pescadores usam, sempre que derem de amamentar e a vossa cria engolir ar com medo que todo o ar do mundo se acabe. Resultado, no final dá mega arroto que até vem o leite junto…

Feliz Dia Sem Pijama!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Tenham filhos, mas sejam ricos



01 de Julho

“Portugueses, (pelo menos aqueles que ainda por cá andam em idade fértil) ide por esse país fora e procriai que a nação precisa e agradece! Há escolas para ocupar, pois qualquer dia há mais professores que alunos, e contamos com os descontos dos vossos filhos para um dia nos pagarem a reforma. Ah, e dizem que nós, Governo, também damos umas ajudas de custo para criarem a filharada e fazerem deste país um retângulo à beira mar plantado a explodir de portuguesinhos.” É assim que eu leio nas entrelinhas sempre que se anunciam medidas de incentivo à natalidade.

Pedir aos portugueses que tenham filhos com base nos incentivos à natalidade é simplesmente gozar com a nossa cara. Não é que tenha decidido ter a Luísa a pensar nas benesses que o Estado nos ia conceder. Decidimos ter a Luísa porque estava na hora e os nossos corações estavam prontos para receber este amor maior. Mas toda a gente sabe que uma gravidez e depois um bebé dão muita despesa.

Felizmente durante a gravidez pude ser seguida por uma médica no privado, porque se fosse só a depender das consultas no Centro de Saúdo e as ecos que vamos sendo chamadas para fazer no Hospital provavelmente nunca teríamos detetado a tempo o meu cólo do útero reduzido. À data em que fui fazer a ecografia à minha médica e que me obrigou ao meu primeiro internamento não tinha nenhuma ecografia agendada para o Hospital e no Centro de Saúde todos sabemos que só se ouve o coração do bebé e já numa fase bem avançada da gravidez.

Nesta fase podemos pedir, mas só por volta dos três meses de gravidez, o subsídio pré-natal, como forma de ajudar às despesas inerentes à gravidez. Lá nos demos ao trabalho de recolher os imensos documentos que nos pediram e ir preencher a papelada, mas passado um mês recebemos a resposta de que não tínhamos direito por sermos considerados de 4º escalão e os subsídios só são atribuídos do 1º ao 3º escalão. Conclusão a que cá em casa chegamos: somos ricos! Não somos pobres, é verdade. Ganhamos o suficiente para podermos ter um apartamento onde nos sentimos bem e pagar as nossas despesas e contas a tempo e horas. Mas não somos nenhuns magnatas e as consultas no privado e tudo o que foi sendo preciso comprar para a chegada do bebé foram pesando no orçamento familiar.

Depois seguiu-se a minha baixa por gravidez de risco. Acho que é nestas alturas de incapacidade que os serviços do Instituo da Segurança Social mais deveriam ser céleres, mas não. Estive um mês e meio para receber o meu primeiro pagamento pela baixa. A partir daí veio certinho, mas primeiro que começasse a cair na conta foi uma travessia do deserto.

Agora, depois da Luísa nascer, e já que nos foi negado o direito ao abono de família, porque lá está, somos ricos e pertencemos ao 4º escalão, estamos no início de Julho e nada de receber o subsídio de licença de parentalidade. Vou reformular. A Luísa nasceu em Abril, estamos em Julho e ainda nada de receber. Entretanto foi preciso pagar rendas, contas, leite, medicamentos, consultas, fraldas, roupa e com que dinheiro? Com dinheiro que fomos buscar à poupança e que não era suposto de lá sair, mas ao mesmo tempo é o que nos vai apoiando.

Sim, porque nós ainda somos felizardos de termos conseguido poupar alguns tostões nestes últimos anos e assim poder estar a viver estes meses com o dinheiro contado, mas que vai dando para o que é preciso.

E um casal que ganhem os dois o salário mínimo? É nisso que penso nestas alturas. Como é que uma família dessas aguenta quase três meses sem receber um dos salários? Deve ser penoso. Porque esses casais decerto que não conseguem fazer um pé de meia ao qual possam recorrer em tempos como este.

Há uns anos falava-se tanto no Simplex e como facilitar os procedimentos da função pública, pois eu continuo a achar que estamos é no complicadex. Das três vezes que fui à Segurança Social deram-me três informações distintas, aquilo era papelada que nunca mais acabava, para não falar na dificuldade que senti em preencher os papéis e tudo isto para quê? Para estar há quase três meses sem receber o subsídio. Eu vou estar quatro meses de licença mais os dias de baixa por assistência à Luísa e por este andar corro o risco de receber esse tão valioso incentivo à natalidade no ÚLTIMO mês de licença.

Enfim, Portugueses tenham filhos…mas sejam ricos!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Muito obrigada, queridas…maminhas!



26 de Junho

(Este post não interessa nada ao sexo masculino. Vão antes navegar no maisfutebol.iol.pt ou outra coisa que gostem.)

Quem me conhece sabe que de peito nunca fui muito avantajada.
Durante a gravidez comecei a sentir a evolução da coisa, pois tive que usar alguns soutiens um número acima. Mas a transformação maior aconteceu cerca de uma semana a 15 dias depois da Luísa nascer, quando a comecei a amamentar a todo o vapor. Desenganem-se se pensam que fiquei com uma enorme e descomunal “prateleira”. Não, nada disso. Apenas passei de um 34 a um 36 bem generoso.

Este aumento foi estranho para mim. Habituada a não ter nada à frente que estorvasse, dei por mim a ter saudades das minhas queridas antigas mamas. É que quando se tem pouco e se sofre um aumento uma pessoa nos primeiros tempos nem sabe muito bem o que fazer com aquilo. Depois começou o drama da roupa que deixou de apertar ou servir à frente. Tive camisas que depois de apertadas nem conseguia fechar os braços de tão justas que estavam à frente. Resultado, tive que ir comprar umas camisas em tamanho L ou M bem generoso e andar feita tolinha, pois não me assentavam nos ombros. Enfim…

Mas, sinceramente, o pior deste drama das mamas chegou agora. Gretas e fissuras felizmente não tive, porque desde o início optei por usar mamilos de silicone (Obrigada Medela por existires!) já que a Luísa pegava bem no peito na mesma.
O que tem acontecido de há uns dias para cá é sentir o peito a encaroçar e, minhas amigas, é horrível. Umas dores, uma sensação de nem puder mexer os braços. Chego ao cúmulo de após as mamadas ter de ir tirar mais algum na bomba, porque a Luísa mesmo a mamar 15 minutos em cada peito não me consegue aliviar a pressão.
Dadas as dores seria de esperar um biberão quase cheio depois de usar a bomba, mas nada disso. Tiro uns 10 a 20 mililitros no máximo… Até dá pena gastar um saco de congelação só para isto.

E de dia a coisa ainda se compõe pois a Luísa mama de três em três horas, mas de noite chega o pior. Como ela já dorme cinco horas seguidas tenho acordado desesperadinha das mamas. E eu que aguentava seis horinhas sem dar de mamar, agora a média desceu novamente. Bonito. Assim, ir ao cinema e jantar fora com o meu mais-que-tudo ou ir jantar a casa de uns amigos sem a Luísa fica mais difícil. E deixá-la a dormir em casa dos meus pais para eu e o J. descansarmos vai obrigar-me a levantar a meio da noite para ir ter com a minha amiga bomba. (É uma relação amor-ódio aquela que tenha com a bomba!) E ninguém gosta de interromper o sono para ir tirar leite, acreditem. Se não o fizer, arrisco-me a acordar umas oito horas depois completamente cheia de dores e com um grande problema. Sim, porque isto de encaroçar o peito não é pêra doce e pode trazer muitos dissabores.

Obrigadinha, queridas mamas! Amamentar é sofrer.