07 de Abril
Aviso: Este texto não é aconselhado
a pessoas púdicas, sensíveis e facilmente impressionáveis. Se for do sexo
masculino aconselho-o a deixar imediatamente a leitura deste post e seguir para
outro destino. O que vai ler poderá afetar a sua relação com o corpo da mulher
e a magia da gravidez. Se é do sexo feminino e está a pensar engravidar
peço-lhe que passe à frente e vá ler aqueles blogs onde as mães são perfeitas,
lindas e usam saltos altos até lhes rebentarem as águas, é que hoje vamos falar
de coisas feias…muito feias. Eu avisei.
Em parte eu acho que a culpa é dos filmes de Hollywood e as
telenovelas. No mundo da ficção quando uma mulher fica grávida a cena é sempre
enternecedora, cheia de emoções e pozinhos de perlimpimpim. A grávida é um ser
sagrado, uma santa, que está sempre fresca e fofa.
Mesmo ao longo da minha existência e do algum convívio com grávidas, a
chegada de um bebé sempre foi uma coisa muito cor de rosa, muito bonita, que
faz muitas meninas suspirarem pelo dia em que ficarão grávidas.
Não quero com isto parecer que não estou a gostar de estar grávida,
porque estou (apesar de ter de estar em repouso e não puder andar aos pulos na
rua), mas acho que há coisas que me deviam ter dito antes de engravidar e as
quais nunca ouvi de boca nenhuma. E pergunto-me porquê…
Assim, na esperança de ser útil para futuras mães e talvez ler os
pensamentos de outras que já passaram pelo mesmo, hoje decidi desmascarar
alguns mitos e contar coisas sobre a gravidez que até parecem tabu. E, mais uma
vez reforço, talvez seja melhor desistirem agora da leitura se são
impressionáveis.
O “brilho” da gravidez
Sempre ouvi dizer num tom muito romântico de romance de cordel que as
grávidas são lindas e têm um brilho especial. Minhas meninas, não é brilho, é
gordura mesmo! Por causa das nossas amigas hormonas passamos a ter brilho de
facto, mas é devido à pele oleosa. De um momento para o outro voltamos à
puberdade, com pele oleosa (a rever óleo para ser bem mais sincera) e o
reaparecimento de borbulhas e pontos negros que não víamos desde os 13/14 anos.
Felizmente tenho a sorte de ter uma amiga que acede a todos os meus dilemas
de beleza gestacional e, entendida nos produtos que uma grávida pode e não pode
usar, acorre em meu auxílio sempre com um creme ou um gel para diminuir este “brilho”
visível até em Marte.
Eu juro que tinha cabelo
Há quem perca cabelo durante e outras depois da gravidez. No meu caso
foi mesmo logo desde o início. Passava a escova e só pensava que a continuar
assim por nove meses que iria ficar careca. Mais uma vez, ninguém me tinha avisado.
Lá me muni de uns champôs anti-queda e a coisa acalmou, mas podem ter a certeza
que o meu couro cabeludo está bem mais vazio. O único consolo é que dizem que
em grande parte dos casos o cabelo que cai volta a aparecer. A parte má é que
também dizem que nunca vem tão forte. Oh dear!
300 novos sinais
Aqui não posso dizer que fui apanhada desprevenida,
porque o dermatologista já me tinha avisado. No entanto, desde que fiquei
grávida todos os dias encontro um novo sinal ou pequena verruga no meu peito, costas ou barriga. Só espero que depois desta
loucura das hormonas descontroladas tudo desapareça.
Cara e nariz de grávida
Quando olho ao espelho só peço se posso ter o meu nariz de volta. De
há umas duas semanas para cá o meu nariz está inchado, quase duplicou de
tamanho. Além disso, e embora sempre tenha tido uma carinha gordinha, agora
pareço uma lua cheia. Até ao momento engordei 10kg, mas quem vir só a minha
cara parece que aumentei 20! E, mais uma vez, nunca ninguém me tinha falado
deste efeito chamado “cara de grávida”.
Ro-quê?? Nós temos rolha??
No início da gravidez comprei um livro que descrevia as alterações do
corpo durante a gravidez, semana a semana. Devido à ansiedade inicial de querer
saber tudo fui avançando alguns capítulos até que comecei a ler as semanas
antes do parto e os sinais de parto eminente. O que eu fui fazer!! Quando cheguei
à parte em que no livro falam do rolhão, juro que fiquei uns dez minutos a
tentar absorver o que tinha acabado de ler. Basicamente o rolhão mucoso é como
o próprio nome indica uma espécie de muco acumulado na zona do cólo do útero,
que serve de barreira protetora do bebé e que, normalmente, sai uns dias ou
horas antes do parto. Pelo que li não é coisa bonita de se ver e costuma ter
cor escura. Mais uma das belezas da gravidez…
São gases, senhor, são gases
Aqui também não andava às escuras, mas não esperava este cenário
apocalítico. Cerca do segundo mês de gravidez começou a minha saga dos gases.
Eu sei que muitas de vós se devem estar a rir, mas acreditem que decidi falar
sobre isto, porque realmente me incomodava.
As manhãs até se aguentavam, mas depois do almoço era um desespero e
como trabalho num gabinete com outras pessoas “soltar” os meus prisioneiros
estava fora de questão. Em casa o J. dizia-me para não aguentar e ir à casa de
banho do escritório, mas eu nem isso conseguia com o medo de que alguém no
corredor pudesse ouvir. Ao final do dia estava tão mal disposta, sentia-me um
balão prestes a explodir.
Nestas alturas só me lembrava de um episódio do Sexo e a Cidade em que
uma super grávida Miranda está a experimentar uns sapatos com a Carrie e o
simples gesto de se baixar para os apanhar provocou o lançamento de uma semi
bomba atómica. Eu não queria chegar àquele ponto! Até tinha medo de espirrar!
Ajuda preciosa nesta minha demanda foi então a enfermeira que me
acompanhava na Unidade de Saúde Familiar. Começamos por retirar os feijões e o
queijo da minha dieta. Nada feito. Passamos a eliminar as ervilhas e o pão
fresco. Sem resultados. Até que ela me sugeriu experimentar deixar de beber
leite durante uns dias e ver o resultado. E assim de um momento para o outro os
gases como que desapareceram e voltou a minha qualidade de vida. Adeus leite de
vaca, olá leita de soja, chá e cevada.
As grávidas são lindas
É claro que uma grávida é um ser lindo. Estamos a gerar uma vida e não
há nada de mais pleno do que isso. O problema é quando começamos a chegar à
fase do mega barrigão… Eu posso dizer que já não vejo os meus pés há várias
semanas, os meus soutiens deixaram de me servir e conto pelos dedos das mãos as
peças de roupa que ainda me servem.
Se quero dar um beijo ou abraço ao J. também ficamos a uns 50cm de
distância um do outro, porque a barrigona a meio não dá para ignorar nem
apertar.
Depois começa o caminhar à pato, assim com as pernitas meias afastadas
e apoiar as mãos na lombar para ajudar a suportar o peso da barriga. Limpar os
pés, calçar uns botins ou vestirmo-nos torna-se um verdadeiro suplício e quando
nos vemos ao espelho sentimo-nos cada vez menos donas do nosso corpo.
E depois deste rol de coisas giras da gravidez, espero não ter chocado
muita gente, mas ao menos sei que quem me tiver lido não pode dizer, um dia
mais tarde, que nunca foi avisava.